sexta-feira, 6 de outubro de 2017

CONSTATAÇÃO


"[...] Somos pássaro novo longe do ninho..."

(Eu sei - Renato Russo)


imagem: © Cameron Bloom



Sem os teus braços sou apenas 
um menino solitário 
que não aprendeu a voar. 
Teu abraço me dá asas.

(Wendel Valadares)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

"Começar de novo
e contar comigo.
Vai valer à pena
ter amanhecido..."

(Começar de novo - Ivan Lins/Vitor Martins)

                                    Imagem: © Krasimir Matarov


Que o amarelo invada nossos dias 
e nos dê ânimo para continuar!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

VOA



                                        Imagem: © duong quoc dinh


Abro os braços em direção ao céu
e, por um instante, até sinto meu corpo levitar.
É que eu nasci com esse voo pronto,
com essa sede de azul e sol, 
com essa saudade imensa do infinito. 
Basta uma brisa e minhas asas se armam.
Basta um vento e eu já busco um novo ninho.
Basta um sopro e já não me sinto sozinho.


(Wendel Valadares) 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

SETEMBRO



Nos braços retorcidos do velho ipê
setembro flo(riu) pra mim.

(Wendel Valadares)





*Imagem retirada da internet, sem autoria.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

AURORA


Desperto todas as manhãs
pelo mesmo motivo dos girassóis.


(Wendel Valadares)

                                        Imagem:© Joel Robison


terça-feira, 5 de setembro de 2017

PARA OS DIAS DIFÍCEIS

“Que seria de nós sem a esperança? 
O sol nasce todos os dias para nos ajudar a viver 
e nós não temos o direito de nos voltar para o escuro 
se temos ao dispor tanta claridade.”

(Anilda Leão)

                                        Imagem: © Adrian Limani

Fecho os olhos, respiro fundo, conto até dez.
(conto até mil se for preciso).
E por dentro eu rezo: vai dar certo,
vai ter que dar certo!
Deus-ajude-amém!

Às vezes coloco o Milton pra cantar:
"Todo dia é de viver
Para ser o que for e ser tudo..."*

Nem sempre acontece o que eu quero,
mas quando me dou conta já passou.

Então, tem mesmo essa coisa de "tudo passa".
Depois fica leve, fica zen.
Um dia de cada vez.


(Wendel Valadares)


* Amor de índio - Beto Guedes / Ronaldo Bastos

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

PARA ÂNGELA - AO SOL, NO QUINTAL

Imagem:© Joel Robison


Querida Ângela,

há alguns dias terminei de ler Grande Sertão: Veredas, do nosso eterno João Guimarães Rosa. E, mais do que uma leitura, o que esse livro nos proporciona é uma verdadeira travessia. E eu atravessei despido de muitas vaidades, porque entendi que caminhar pelo sertão era também caminhar para dentro de mim. O próprio narrador nos alerta: "sertão é dentro da gente". 
E, embora o livro tenha sido absurdamente incrível, uma frase, uma única frase ficou repercutindo no meu interior todos esses dias, me provocando diversas reflexões. 
Guimarães diz, num determinado momento da história, que "amor é a gente querendo achar o que é da gente". Quando li esse trecho me espantei, mas no momento queria continuar com a leitura, então não dei a devida atenção. Só agora, terminada a travessia, parei para refletir sobre a grandeza e a genialidade dessa frase.   

"Achar o que é da gente"

Você me disse outro dia que sempre tenho um poema, um texto ou uma frase para cada momento. Isso é verdade, minha amiga. Eu vivo buscando na literatura esse amparo para as minhas angústias. Eu sempre acho que vou me encontrar numa metáfora. Mais do que alguém de fases, me sinto alguém de frases. Mas caminho por esse território com muita cautela e respeito. o Milan Kundera adverte: 

“As metáforas são muito perigosas. 
Não se brinca com as metáforas.” 

"Achar o que é da gente". 

Tenho pensado muito em 'achar o que é meu'. Outro dia um amigo me disse: "você me faz pertencer". Foi umas das coisas mais lindas que já ouvi na vida. E era um amigo que tinha acabado de chegar, ainda não tínhamos dividido muitas histórias, ele ainda não sabia quase nada sobre mim e eu sobre ele. Mas entendi que, quando a gente acha o que é da gente, não é preciso contar o tempo ou enumerar os acontecimentos. Não é preciso materializar, é tudo uma questão de sentir. E eu sinto muito. 

Minha querida, resolvi lhe escrever esta carta porque sei que você também anda à procura do que é seu. Acho que essa é a grande busca de todos nós, ou pelo menos deveria ser. (risos). Resolvi lhe escrever pra dizer que a literatura tem esse poder incrível de, numa simples frase, nos proporcionar um aprendizado imensurável. Que a literatura tem também o poder de nos apresentar pessoas incríveis que, mesmo à distância, compartilham conosco experiências enriquecedoras que nos tornam pessoas melhores. Quando penso na sua amizade penso em ser melhor. Bonito isso que você faz, de inspirar os outros a serem melhores. O mundo tem precisado tanto de seres "humanos" de verdade.  

Resolvi escrever para falar do meu carinho e admiração por você. E pra dizer que, para achar o que é da gente, às vezes basta se sentar ao sol, no quintal com um bom livro e saber dos amigos que caminham conosco nessa difícil jornada que é a vida. 

Com afeto,

Wendel

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

MADALENAS





Pousada na janela do sobrado
a mulher observa o mundo.
Obra inacabada de Da Vinci,
quase Monalisa, não fosse
o olhar fatigado,
a pele enrugada,
uma alegria triste.
Obra perfeita do artista supremo,
miscelânea de fé e fome,
sem sorte, só sonho.
Ana, Maria, Teresa, não importa,
Senhora do Tempo.
Segura as lágrimas
porque a vida pede mais.
Ela não sabe,
mas sua dor sustenta o mundo.

(Wendel Valadares)

Poema escrito diante da beleza desse postal da Bahia, que recebi da minha amiga Paula Barbacena!

terça-feira, 29 de agosto de 2017

"O que nos salva de morrer antes do tempo 
é poder achar que a luz do amanhecer 
nunca foi tão bonita quanto hoje." 

(Lya Luft em Secreta Mirada)


                                       Imagem:© Joel Robison 


Quando pronuncio a palavra ESPERANÇA eu logo penso em: 

verde, girassol, passarinho e abraço.  

E você, pensa em quê?

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

CARTA PARA A.

                                      Imagem: © Joel Robison


Querido A.,

hoje é domingo e, depois de tanto tempo, resolvi fazer um bolo de cenoura.
Talvez você se pergunte: - o que há de especial nisso?
Eu não sei dizer o que há de especial em fazer um bolo de cenoura, mas sinto que alguma coisa está acontecendo dentro de mim. E eu tenho precisado muito dessas 'acontecências'.

De um tempo pra cá tenho tentado olhar as coisas com mais brandura. 
Outro dia, quando chegava do trabalho, flagrei duas lagartixas juntinhas na parede tomando sol, colhendo o restinho da luz que se deitava no horizonte. Achei tão bonitinho e logo lembrei da Adélia: "quanto jeito tem de ter amor".

É isso, tenho descoberto novos jeitos de ter amor. 
E então eu pensei que fazer um bolo de cenoura era também um jeito de ter amor por mim. E pode ter certeza de que vou caprichar na cobertura de chocolate.

Amigo, eu nem tenho muita coisa pra dizer, só queria contar do bolo e acabei falando de lagartixas e de amor. Mas saiba, contar sobre o bolo é também um jeito de dizer que penso em você. E que, qualquer dia desses eu faço um bolo pra gente comer junto. E você faz o café, pode ser?

Te abraço enorme.

Com afeto,

Wendel