domingo, 14 de abril de 2013

ABISSAL



Sensível. Longe de qualquer expectativa, distante de muitas certezas. Um pouco dormente. Um tanto desiludido. Cansado. Por dentro e por fora.
Enquanto as palavras passam fluídas por mim, eu me demoro um pouco mais nessa distância.
Me sinto grato com algumas delicadezas que insistem em me fazer afagos - no peito e na alma - mas agora não sei retribuí-las, é que esse aperto ainda não se resolveu e me faz refém de qualquer esperança - mínima.
Meus discursos soam todos melancólicos, mas não há cólicas na intenção que habita as entrelinhas, só um desejo de não ser mais um, de não ser tão pequeno assim, nem tão grande.
Estou sentido muito e por mais tempo. Tudo que me cerca, agora me habita. Talvez hajam "eus" demais em mim. Qual deles precisa de atenção e cuidados?
Quando fico assim, qualquer dor é umbilical - a minha e a dos outros. Tudo é enorme. Tudo é demais.
Estou alternando entre respirar e não respirar, abrir e fechar os olhos, pulsar e não pulsar, mas não há pausas no meu sentimento.
Estou olhando pra dentro. Enxergando grandezas que estavam escondidas nas esquinas de mim.
Vez em quando eu avisto uma paisagem bonita, que eu nem lembrava mais que existia.
Estou me amando um pouco mais. Muito mais. Por dentro.
Sensível. Perto de um afeto bem maior que eu. Eu sou a cura pra mim.

(Wendel Valadares)

3 comentários:

  1. Vejo através da janela do que escreveu muito de mim. A singuraridade comum à todos nós. Passeando entre tantos, ficando em poucos, esquecendo um pouco do que somos, pra enxergar o que queremos ser e voltar pra nós. E a resposta, é sermos nossa própria cura.
    Beijo Wendel, como sempre bom demais passar por aqui.

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    1. Obrigado Milene. Suas palavras me abraçam.

      Gratidão!

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  2. Ser a cura, a resposta para muitos que procura em alguém a própria cura.

    Otimas vibrações!

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