terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

UM (QUASE) AMOR DE VERDADE


E de repente eu fiquei pequeno,
do tamanho de uma presença
que não soube acontecer
- nunca soube.
Essa espera por alguém - que não vem -
me causou uma angústia ressentida
e eu fiquei sentindo essa distância,
colhendo nãos numa estrada de possibilidades.

Morei tanto tempo perto de um talvez
que desaprendi a conviver com as certezas.
Até ensaiei uma fala bonita,
no caso de um amor dolorido.Em vão.
Essa cortina de carências
só escondia um não-amor.

(Wendel Valadares)


domingo, 17 de fevereiro de 2013

DO QUE PODERIA TER SIDO


Naquele dia, como nunca antes havia feito, ele parou para observar a beleza de sua amada. 
Emprestou o seu tempo e repousou os olhos sobre ela.
A olhava com ternura, com candura, com espanto. 
Um sorriso tímido lhe incorria e se misturava ao gosto do sal. Ficara liquido.
Respirou fundo, fez o gesto de quem queria falar algo, mas o silêncio insistiu e foi mais forte,
mais corajoso do que ele.
Ela chegou mais perto. Deu-lhe um sorriso meio triste, tocou o seu rosto e só. 
Enquanto ele, inquieto, parecia se engasgar com as palavras.
Estavam mudos, petrificados. perdidos de si mesmos.
Ele tentou, ele bem que tentou.
-Eu...
-Você ? Exclamou ela, se enchendo de expectativas, seu rosto enrubescido.
Ele abaixou a cabeça, o coração já estava no chão. Mais silêncio.
Ela continuava ali, a lhe fitar os olhos, a fiar esperanças.
Ele tentou, como se fosse a última vez. E foi.
Ela não se conteve, desaguou em palavras e lágrimas. 
Escancarou o seu coração e fez fluir um rio de sentimentos. 
Ele se afogou. Não sabia nadar nesse imenso e vasto mar. Mar de amor.
Ela virou-lhe as costas e saiu caminhando vagarosamente.
Infelizmente, um amor não sobrevive de fraquezas.

(Val Santiago & Wendel Valadares)

Val Santiago é Cearense, amante das palavras e escreve aqui: Alma Sussurrante

sábado, 16 de fevereiro de 2013

DAQUI PRA SEMPRE



Minha saudade se une a sua espera
e o amor que antes de nós já era,
agora se entrega sem reservas
ao que pode ser.

No tempo em que o "nós" não havia
eu só sabia o que não era: não éramos.

Depois do abraço somos,
fomos, seremos, vamos
pra qualquer infinito só nosso.

(Wendel Valadares)

Ao som de Adriana Calcanhoto: Mais feliz

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

EU + VOCÊ = NÓS




Hoje eu amanheci com saudade de conhecer o seu abraço.
Sonhei com o entre(laço) das mãos e nós dois caminhando num só (com)passo
numa estrada enfeitada de girassóis, estrada que nos leva pra nós, a sós.

Hoje eu amanheci com a essência do seu riso
e o seu perfume impregnado na minha memória mais bonita.

Eu ainda não sei quem você é, mas hoje você amanheceu em mim
e já não te deixo mais ir embora.
É parte (fundamental) do que eu sou agora.

(Wendel Valadares)


Ao som de Roberta Campos: Mundo inteiro


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

AMANHÃ-SERMOS



Nossas melancolias se abraçam, se entrelaçam, se ultrapassam, passam.
Se fundem como dois horizontes que esqueceram de acontecer distantes.
Se entregam ao crepúsculo e esperam, ansiosas, pelo próximo alvorecer.
Projetam presenças num futuro próximo, porque o (nosso) abraço
já existe antes de nós, antes dos nós.
Sós, dentro de um sossego despretensioso
que inaugura no próximo fôlego, um jeito novo de morar.

E se o mesmo futuro se repetir tanto dentro da gente,
é só porque estamos seguindo em frente.
É só porque vamos juntos, pra sempre.

(Priscila Rôde* & Wendel Valadares)


Priscila Rôde é uma eterna amante das palavras, autora do livro "Para que fiques" e do blog "Mar íntimo". Conheça mais em:  http://www.priscilarode.com/

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DO QUE É PASSADO



Saudade de quando eu era sonho.
Saudade de quando eu era sol.
Saudade de quando eu era sonhador.
Saudade de quando não havia dor.
Saudade de quando eu não era só.

(Wendel Valadares)

PERMANÊNCIA




O que me dói são as palavras que você não diz,
porque eu as vejo, nitidamente, em cada gesto seu.
Você me manda embora sem dizer adeus.
Eu permaneço, por pura insistência, pura teimosia.
Permaneço por pura utopia,
puro desejo de ser eterno
num coração que me fez momento.

(Wendel Valadares)

RECÍPROCO




Fala-me.
Ouço-te.
Entendo-te.
Acolho-te.
Respeito-te.
Abraço-te.
Amo-te.

Ama-me?

(Wendel Valadares)


*De uma conversa com um amigo.

OLHAR (INTERNO)




Hoje eu amanheci emotivo. Mas emotivo de uma forma bonita, sensível. 
Acordei sentindo a essência de tudo que me cerca, de tudo que me envolve. 
É como se eu pudesse entrar no mistério de cada acontecimento, 
tocar a intimidade de cada gesto, inaugurar a beleza de cada detalhe.
Amanheci com uma sensação de sol após longos dias de chuva. 
E essa lágrima de agora desabotoou um punhado de sentimentos
pueris dentro de mim. Valores que eu já nem lembrava mais que os tinha.
Belezas que estavam escondidas na rotina, acobertadas pela falta de tempo.
Amanheci ensolarado e pude perceber a quantidade de escuros que 
eu ilumino quando deixo a minha luz (interior) acesa.
Essa lágrima de agora regou um solo que a muito tempo estava áspero,
um solo tão bonito, mas que precisa de cuidados especiais, 
que precisa de tempo, de atenção, de dedicação, de entrega, diariamente.
Um solo que precisa de carinho para se tornar fértil. 

Hoje eu amanheci emotivo, sensível e percebi a quantidade de pessoas
que eu posso ajudar quando presto atenção em mim.
Que estar bem (comigo) é o primeiro passo para deixar o outro bem.
Amanheci sentido o imenso poder de cura que tenho em minhas mãos, 
em cada gesto de afeto que eu posso oferecer - a mim mesmo e ao próximo.
E essa lágrima de agora movimentou uma porção de engrenagens
que estavam enferrujadas, ativou mecanismos importantes que estavam atrofiados,
 lavou sujeiras que atrapalhavam o bom funcionamento de partes essenciais - em mim.

Hoje eu abro os braços para acolher esse sentimento.
Deixo meu coração livre, vazio, apto a ser inundado por toda essa sensibilidade. 
Hoje eu entendo de uma forma bem mais clara e visível: O AMOR COMEÇA EM MIM.

(Wendel Valadares)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CONTA PRA MIM



Conta pra mim as suas dores.
Fala pra mim sobre o seu coração, como ele está, o que têm doído ai dentro, o que o tem deixado tão pequenininho.
Fala pra mim das tuas saudades, das pessoas importantes que foram embora da sua vida.
Me conta sobre os seus medos, aqueles mais bobos, que ninguém dá importância. 
Me fala sobre o seu medo de não conseguir ser feliz.
Conta pra mim o porque dessa angústia, dessa aflição tão cotidiana. 
Tanta gente pergunta como você está e a sua resposta é sempre a mesma: "estou bem".
Me diz tudo o que você esconde por trás dessa frase pronta, dessa armadura em forma de palavra. 
Conversa comigo. Me diz tudo aquilo que você têm vontade de dizer, mas não sabe pra quem, ou não tem coragem, ou não quer dizer pra qualquer pessoa. 
Fala pra mim do seu medo de não ser compreendido. De ser julgado. De ser mal interpretado.
Conta pra mim as suas dores.
Conta como o seu coração bate acelerado quando você pensa numa certa pessoa
E me conta também como essa pessoa te ignora, te despreza, te dá pouca importância.
Me diz o quanto você se sente impotente diante de algumas situações. 
Por que você não consegue desistir de algumas pessoas e algumas coisas. 
Por que você tem que insistir, apesar de tudo.
Fala pra mim porque você ainda está aqui. 
Conta pra mim as suas dores.
Aquilo que você tem guardado a sete chaves, mas que já não pode mais.
Aquilo que tem lhe tirado o sono, lhe sufocado, lhe deixado inquieto, pequeno.

Talvez eu não saiba te aconselhar, eu não saiba o que dizer, o que fazer, 
mas conta pra mim as suas dores que hoje eu estou aqui para lhe ouvir.
Nada mais importa a não ser estar ao seu lado.
Deixa eu prestar atenção em você, nas suas palavras, nos seus olhos,
nos seus gestos.
Deixa eu saber de você, deixa eu lhe oferecer a minha mão,
o meu ombro, o meu colo.
E, quem sabe, qualquer dia desses, eu  conte pra você as minhas dores.

(Wendel Valadares)



domingo, 10 de fevereiro de 2013

POENTE



Pousa teu corpo cansado
sobre o meu colo pungente
e mata a sede
dessa minha carência.
Cura a dor 
dessa saudade latente,
manda embora a solidão
com a sua presença.
Traz a incerteza
desse teu riso largo
e devolve o brilho
pros meus olhos tristes. 

(Wendel Valadares)

sábado, 9 de fevereiro de 2013

PARA QUE SEJA LEVE




Abandonei um tanto de peso desnecessário
e estou pegando carona na primeira brisa que me invade...
Estou arejando os cômodos...

Só volto no próximo vento...

Até qualquer sopro...

(Wendel Valadares)

ESCONDERIJO






Estou pesado. Estou pequeno. Estou revisitando meus lugares sombrios, remoendo algumas mágoas que estavam acobertadas pela poeira do “depois”. O tempo não resolveu as minhas carências, ainda tenho vazios repletos de pesos desnecessários. Aquela ausência de outrora, só mudou de forma, mas ainda me habita. 

Sinto que estou ligado a uma saudade antiga, dolorida, ressentida. Uma saudade que me deixa sem lugar, sem sorrisos e com a esperança minguada. 

Tenho sido protagonista de um adeus cotidiano, tenho aprendido a desabitar lugares.
Pensar na possibilidade de uma presença é o mesmo que ofertar o meu coração a uma frustração garantida, porque a muito tempo tenho experimentado o peso das partidas. 

Viver no caminho tem sido o meu refúgio. 

(Wendel Valadares

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

INSTANTE






De repente faz calor e eu sinto a sua falta. 
Sem forçar a memória, me lembro do seu sorvete preferido e de como você me fez gostar dele também.
De repente venta e instantaneamente eu me lembro de você arrumando o cabelo que o vento acabara de bagunçar e eu rindo da situação.
De repente chove e logo me vem à tona todos os nossos banhos de chuva, recheados de beijos e risos.
Você é o meu momento mais bonito, o meu instante e(terno). 

(Wendel Valadares)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

(IM)PROVÁVEL







É triste, mas aos poucos vou deixando de sentir a sua falta.

Eu guardei pra você um espaço tão bonito dentro de mim, mas você preferiu ser distância.
Sempre que eu precisava de um abraço, você só me oferecia ausência.

É triste, mas aos poucos você vai ser só lembrança.

(Wendel Valadares)